Imagem capa - O que é realmente necessário para a chegada de um bebê? por Tássia Garcia
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O que é realmente necessário para a chegada de um bebê?


O positivo chega trazendo muitas novidades! E também muitos medos, dúvidas, receios, itens de enxoval e questões sobre parto e amamentação que talvez você nem sabia que existiam... absolutamente normal, afinal é algo completamente desconhecido, junto de toda responsabilidade de proporcionar o melhor para este novo ser que chega ao mundo.

Mas o que realmente precisamos ter e fazer para se preparar da melhor forma possível para a chegada de um bebê?

A primeira resposta para essa pergunta, já adianto: essa preparação vai muito além do enxoval e quartinho do bebê! No meu ponto de vista profissional, essa preparação precisa ocorrer também a nível emocional, físico e principalmente informativo.


As frases que eu mais ouço dos casais que acompanho são:


- tem muitos itens de enxoval que eu nem tirei da embalagem, se soubesse, teria economizado e investido em outras coisas!
- meu bebê nem dorme no berço ou em seu quarto!
- me preparei tanto para o parto que esqueci da amamentação!
- eu não sabia que o pós-parto seria tão difícil!
- o parto é muito mais fácil perto da amamentação...


Então vamos conversar um pouco sobre o que é essencial?


Sobre o enxoval, pode-se focar em itens realmente necessários (vale um texto inteiro sobre isso!). Pesquisar, conversar com outras mães sobre o que realmente foi ou não foi útil. E ter em mente que muitas coisas podem ser adquiridas conforme a necessidade, pois são facilmente pedidas pela internet ou compradas em lojas de artigos para bebês. Um bebê não precisa de muito: ele necessita principalmente de amor e cuidado!  
Preparar o enxoval e o quartinho do bebê são etapas e momentos importantíssimos e muito especiais, onde aquele amor ainda desconhecido vai tomando forma. Mas se focarmos em itens essenciais, podemos investir também em outros pontos muitos importantes: pré-natal, o parto em si, e informação de qualidade para se preparar para o parto, pós-parto e amamentação.

Durante essa preparação, deve se ter em mente que aquilo que foi importante para uma amiga, pode não ser importante para você, e vice-versa. Cada casal deve buscar aquilo que faça sentido dentro de seu contexto familiar, de seus desejos, de sua realidade.


Separei algumas dicas:


1. Busque grupos de apoio à gestação, parto e pós-parto em sua cidade:
Muitas cidades têm grupos gratuitos, Rodas de Conversa, Reuniões para Gestantes em Maternidades ou Centros de Saúde. Através do contato com profissionais da área e a experiência de outras mulheres, é mais fácil buscar referências para fazer o planejamento do pré-natal e do parto. E participar de Cursos sobre Parto ou Cuidados com o Bebê é sempre um bom investimento (incentivem sempre a participação do acompanhante!)


2. Conheça as maternidades de sua cidade e os profissionais que atuam com assistência ao parto:
Conhecer as instituições também é importantíssimo para que se busque por aquele local que ofereça os protocolos de assistência que mais se encaixem com sua realidade e com seus desejos. Busque por locais e profissionais que você confie e se sinta à vontade, isso é fundamental para o dia do parto.


3. Tenha uma doula:
Doulas são profissionais treinadas para oferecer suporte físico, emocional e informativo desde a gestação até o pós-parto, e no parto desempenham suporte contínuo, principalmente pelo uso de métodos não-farmacológicos para alívio da dor, encorajando a mulher a passar pelo processo do parto da forma mais tranquila possível. Doulas também conhecem a realidade obstétrica da cidade e podem ajudar bastante no planejamento do parto, além de tirar dúvidas em todas as etapas.


4. Estude sobre o parto:
Busque informação de qualidade, leia livros sobre parto, especialmente se estiver buscando um parto normal. Hoje sabemos que o parto mais seguro é aquele que respeita as características fisiológicas do nascimento, mas infelizmente nosso país tem recorde de cesáreas. Para se alcançar o parto desejado, é preciso estar segura e bem informada acerca de todos os seus benefícios, das possíveis intervenções e dos protocolos de cada maternidade.


5. Estude também sobre amamentação e pós-parto:
Nos preparamos tanto para o parto, que esquecemos que o parto passa relativamente rápido, a dor se esquece, mas levamos um bebê para casa, que não vem com manual de instruções! Um recém-nascido requer muita atenção e cuidado, e uma família segura e informada acerca das necessidades do bebê passa por esta fase de uma forma mais leve. Saiba o que esperar dos primeiros dias do bebê e as dicas básicas para contornar algumas dificuldades que podem surgir no início da amamentação.


6. Tenha o contato de alguma consultora em amamentação:
A maioria das profissionais que trabalha com amamentação também oferece um encontro de preparação ainda na gestação. A informação é necessária para saber como lidar com pequenas intercorrências que são muitos comuns até o estabelecimento da amamentação, afinal amamentar é um processo de aprendizagem tanto para a mãe quanto para o bebê. E caso encontre dificuldades, não hesite em procurar ajuda profissional. Amamentar não deve doer, se doer é porque algo está errado!


7. Organize a rotina do pós-parto:
No intenso período que é o puerpério, ocorrem mudanças físicas, emocionais e hormonais tão grandes, que somadas aos cuidados com o bebê e com a privação de sono, esta fase pode ser bem pesada para algumas mulheres. Cuidar de um bebê já é um grande trabalho, então converse com sua rede de apoio e organize questões práticas como comida congelada, alguém para ajudar com os afazeres domésticos, rotina com os outros filhos (se houver). Nesta fase, os companheiros devem entender que precisam cuidar da mulher, pois é ela quem fica com a maior parcela do cuidado com o bebê, o que já é bem exaustivo. Portanto, designe trabalhos para a sua rede de apoio!


8. Inclua seu acompanhante e familiares no processo de informação sobre gestação, parto e pós-parto:
O apoio é imprescindível e fica muito mais fácil se todas as pessoas ao redor estiverem alinhadas com seus objetivos e desejos. E você se sentindo segura em suas escolhas, é muito mais fácil lidar com os palpites externos (que são muitos, desde a gestação!)


9. Aceite ajuda, mas também imponha limites:
Quando nasce um bebê, todos os olhares se voltam para ele e algumas pessoas se esquecem que o pós-parto é um período extremamente delicado. Coloque você e sua família em primeiro lugar! Você pode adiar algumas visitas. Você pode pedir para que as visitas realizem pequenas tarefas para te ajudar. Cuide de você, e descanse quando o bebê dormir. O puerpério não deve ser um momento para dar conta de tudo, cuidar de tudo, realizar muitas atividades. Dedicar-se ao bebê já é um trabalho e tanto!


10. Faça fotos:
Registre os momentos importantes, mesmo aqueles que forem difíceis, mesmo que você não saia nas fotos como gostaria. A gestação, o parto, e até as dificuldades do pós-parto passam rápido, e depois dá uma saudade enorme de tudo que foi vivido. Fotos são um lindo registro e são capazes de evocar emoções intensas. E estas emoções são ainda mais belas se forem em resposta a situações reais que você viveu. Honre tudo aquilo que você viveu para se tornar mãe!




Espero que este texto tenha lhe trazido algumas reflexões importantes sobre o que realmente é essencial para a chegada de seu bebê: que a preparação vai muito além do material, e que a forma como seu bebê chegará ao mundo terá impactos muito profundos sobre você e a família que está construindo.

E sabe o que mais eu posso dar de dica? Viva os momentos com intensidade, até os mais difíceis, pois eles passam! Confie em você, confie no seu corpo. Você mais do que ninguém sabe o que é melhor para seu filho. Não se esqueça que a maternidade é uma construção (e também uma desconstrução) diária. Por isso, seja gentil com você mesma em todo esse processo!


E se precisar de ajuda em qualquer uma dessas etapas, estou aqui <3